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15 dezembro 2014

Um Diferente Tipo de Lição

Você já ouviu os rumores.

Você já viu os rostos dos pais quando eles recebem a notícia de que o pequeno Billy e Sally não estão em casa. Não nesta noite, nem agora, nem vendo o jornal.

Mas você não acredita em boatos, não é?

Você tem que ver por si mesmo.

Você tem que fazer essa ligação.

Uma tarde chuvosa, quando as crianças (cujos pais não têm medo) foram retiradas da escola, você decide fazer uma viagem para a escola primária local. Quando você se volta a parede de tijolos, no entanto, você quer saber por que os pais das crianças não têm medo.

A escola já teve dias melhores; as janelas estão quebradas, o gramado necessita desesperadamente ser aparado, e os tijolos que construíram a escola estão negros, encardido, e em ruínas.

"Talvez seja problema com o orçamento", você pensa consigo mesmo. "Tenho certeza de que desejam limpar a escola, só não é viável no momento."

Você é cara um teimoso, não é?

Você começa a procurar uma entrada. Isso não leva muito tempo; você encontra uma janela sem vidro. Você sobe dentro e olha ao redor.

Imediatamente, você se sente enjoado.

Um corpo está pendurado em uma placa com um gancho através do peito. O corpo está estripado, e a cabeça está colocada na mesa do professor. Após uma inspeção, você reconhece o corpo como Sr. Freddricks, um professor de matemática feliz. Ele era popular com as crianças, já que ele era firme, mas justo. Quem iria querer matá-lo?

Independentemente de quanto você queira saber, você segue em frente assim mesmo. As nuvens cinzentas escuras e claras envolvem do céu. Fale sobre como definir o humor.

"É tão estranho ... ", você pensa. "O Sr. Freddricks está morto, mas as crianças não disseram nada sobre isso. Talvez... talvez isso aconteceu logo depois que as crianças saíram. Isso quer dizer que o assassino ainda está aqui?" Você analisa este último pensamento.

Meu Deus, você é um tolo.

Você se arrisca adentrando ainda mais na escola. Em várias salas, você percebe o que parece ser sangue. Você vê pequenas e sangrentas marcas de mão nas paredes, e em alguns pontos, você pode quase jurar que você ouviu uma criança cantarolando.

E então risos de uma criança.

Você para. A luz fluorescente atrás de você pisca, então apaga completamente. O único som...

...é de seu batimento cardíaco.

No final do longo corredor você vê um armário de armazenamento. Suspirando de alívio, você corre para o armário, abrindo as portas euforicamente.

Teias de aranha atingem o seu rosto, enquanto um cheiro úmido e mofado arde em seu nariz. No nível dos seus olhos há uma prateleira com você, você vê uma lanterna. Sussurrando seus louvores, você a pega e tenta ligá-la.

Um feixe de sinais de luz indica que ela funciona.

Virando e voltando pelo corredor, você começa a se perguntar por que você ainda está aqui. A polícia deveria estar aqui, não você. Você não é um policial.

Você é apenas... você.

Você se volta para uma sala de aula. Um braço está estirado no chão, no canto da sala. Uma parte de você quer olhar para ele, mas você sacode a cabeça e olha em outras partes da sala.

Da forma que você usa sua lanterna ao redor da sala, um pequeno, peludo, pé marrom chama a sua atenção. Apontando plena luz no pé, você vê ninguém menos que...

...um ursinho de pelúcia.

O ursinho de pelúcia que você lembra ter um quando era uma criança. Seus olhos negros brilhantes, a pele macia, como veludo. Era exatamente como o que seus pais lhe tinham dado em seu quinto aniversário.

A não ser pelo fato de que seu ursinho de pelúcia nunca teve um gancho enfiado através de seu peito.

Você sente um arrepio gelar sua coluna enquanto você continuar a olhar para esta exibição grotesca. Estendendo a mão, você arranca o urso de seu gancho macabro e coloca-o chão. Você não tem certeza por que você fez isso; ele só faz você se sentir melhor.

Você deixa a sala de aula depois de posicionar o urso contra a parede. Saindo pela segunda porta, você se encontra em um novo corredor. Um quadro negro no chão fica na intersecção de um corredor e o outro. Lê-se:

"Ajude-me."

Você sente seu coração acelerar. O que estava acontecendo? Os boatos... Houve realmente um professor que matou crianças nesta mesma escola?

O som de um grampeador te traz de volta à realidade. Você anda pelo corredor ligado ao quadro negro pelo qual você passou. Uma sala individual está à sua frente. Com uma respiração profunda, você se inclina lentamente para a sala.

Um homem careca e esbelto está sentado de costas para você na mesa de um professor. Em intervalos, ouve-se rabiscos, em seguida, um grampeador.

Rabiscando.

Grampeando.

Rabiscando.

Grampeando.

Rabiscando.

Grampeando.

"O-Olá? Eu estava esperando que eu conseguisse encontrar alguém que pudesse ser capaz de me explicar o que vem acontecendo." Você diz, com um suspiro de alívio. Um professor que mata os alunos? Que ridículo!

Os rabiscos do homem esbelto pararam abruptamente. Você vê seu movimento do braço de uma maneira que significa que ele coloca sua caneta na mesa.

Por que de repente você tem uma sensação de morte iminente?

A cadeira do homem vai para trás e ele está de pé. Não... ele...

Levanta.

Você se sente doente. Seu estômago embrulha e gotas de suor se formam por seu rosto. Você sabe o que é esta figura de alguma forma.

Ele lentamente se vira para olhar em sua direção. Você volta para fora da porta, suando. Todos os pesadelos, as longas noites que te deixaram acordado, os batimentos cardíacos que foram ignorados toda vez que ele foi mencionado...

Eles vieram à tona.

O Slender Man.

Você se vira e corre pelo corredor, tropeçando no quadro-negro. Arranhando seus pés, você sai correndo e tentar encontrar um lugar para se esconder.

Aquilo podia ser bom. Sua presa eram crianças. Qual o melhor lugar do que uma escola primária? Outra questão aparece em sua cabeça. Como ele iria se locomover sem ser notado? Como você continuaria a correr, a resposta lhe atinge na cara.

Literalmente.

Você percebe que você tinha visto Sr. Freddricks ao virar da esquina. Você olha para o cadáver estripado antes de finalmente perceber a verdade.

O Slender Man matou o Sr. Freddricks e então estripou seu cadáver e disfarçou-se como um mudo homem de meia idade. Era um plano infalível.

E então, você aparece.

Você tenta não vomitar enquanto você vai para fora da sala. Tudo o que você tinha acabado de presenciar era um tabu total e absoluto. Você sempre tinha ouvido histórias sobre isso, e, assim como os rumores, você estava cético.

Você sempre foi cético.

Olhe onde você parou.

Você vê o Slender Man andando ao virar da esquina, no final do corredor. Jogando a precaução ao vento, você sai correndo. Você encontra uma janela grande o suficiente para que você possa rastejar por ela. Você coloca seu busto para fora do vidro com sua lanterna, e começar a rastejar para fora.

Você joga sua perna para cima e a usa para puxar-se para fora. Está quase a meio caminho, quando você olha para o pátio e o vê vindo em sua direção.

Espere... ele estava tão rápido?

Com um grito, você rola e cai de volta para a escola. Você cai no chão cheio de vidro quebrado da luminária acima.

'Teve... a... chegar... se...', você sussurra para si mesmo. Rolando fora do vidro, você fica em uma posição de pé,

com o Slender Man à frente de você.

Você hesita à metade de um passo para trás. Foi aqui, onde a sua história terminou? Foi neste corredor o seu lugar de descanso final? Não. Ainda não.

Havia uma pequena janela de fuga. Você parte em uma corrida de pleno direito, os pés batendo no chão com força. Enquanto você vira o corredor e continua correndo, Slender Man se materializa bem na sua frente Você não pode parar. Agora, você nunca vai ser capaz de dizer a todos a verdade; que o Sr. Freddricks estava morto, mas não matou os alunos. Ou que esta entidade foi o motivo pelo qual tantas famílias nunca mais seriam as mesmas.

Você se prepara para ir de encontro ao seu destino



BEEP.

BEEP.

BEEP.

Você acerta o despertador e tropeça até cozinha para ligar a cafeteira. Você caminha para seu banheiro para lavar o rosto e escovar o cabelo antes de jogar algumas roupas.

Você se senta em sua varanda e saboreia seu café, sorrindo e acenando para as crianças do bairro que estão entrando no ônibus para ir à escola. Ultimamente, você já ouviu alguns rumores estranhos sobre os acontecimentos na escola primária local.

Mas você não acredita em boatos, não é?




Fonte: Spinpasta

01 dezembro 2014

A Dona Aranha


- A Dona Aranha subiu pela parede... - cantarolou o menino, a voz um pouco vacilante.

- O que foi, filho? Ah, quer cantar, então vamos! - A mãe parou no meio da rua, encarando seu filho, enquanto abria um sorriso, parecendo feliz com a ideia.

- A Dona Aranha subiu pela parede, mamãe. - A voz soou receosa.

- Não filho, não é assim. Não repita trechos. - corrigiu, a mãe, insatisfeita. - Vamos lá, tente de novo: A Dona Aranha subiu pela parede...

- E jogaram um extintor! - O garoto gritou, assustado, apontando o dedo para o prédio ao lado.

Então, a mãe arregalou os olhos e virou-se, abrupta, para a paisagem atrás de si. Lá, uma enorme criatura semelhante a uma aranha gigante subia com passadas violentas e metódicas. Em cima, no décimo andar do prédio, o morador tentava afastá-la com gritos e um extintor de incêndio. Ele falhou, assim como os outros moradores; todos foram mortos pela Dona Aranha.

Foi quando ela virou para a mãe e seu filho, os que observavam toda a tragédia. E desta forma, a figura hedionda exibiu todos os seus curiosos aspectos: as imensas - e incontáveis - patas; a face esbranquiçada; e os vestes negros como as noites mais escuras de inverno. Parecia não ter face na verdade, contudo, uma rachadura formava-se por sua cabeça, aonde deveria estar a boca (aonde estaria?), assemelhando-se à presas vorazes e impiedosas. E, enfim, ela saltou.

Saltou na direção do garotinho. E sumiu.

Como se tivesse ido para outra dimensão. Sumiu.

Com o garotinho. Sumiu.

E a chuva forte a derrubou, mas dessa vez não foi a Dona Aranha, foi a mãe. E a água regou, junto as lágrimas da mulher, o chão gélido daquele bairro.


Autor: Leon Leonidas [O quebra-galhos da página e do blog Fear of Slender]

SLENDER IS WATCHING YOU

17 novembro 2014

Samuel Mender

Meu nome é Philip Mender, ou apenas Phil, para facilitar. Por um bom tempo, atualmente tenho lido um monte de Creepypastas e jogado jogos indie sobre o "Slenderman" e cada vez que uma nova história ou jogo saia, eu continuava ouvindo as pessoas falando sobre ele, e ele só me deixa mais e mais furioso. Para os poucos que não sabem, Slender Man é descrito como um homem incrivelmente alto vestindo um terno com braços e pernas longos e com um rosto branco sem características que persegue as pessoas e, eventualmente, as mata. Provavelmente, as mais conhecidas são a histórias originais do Slender Man que apareceram em fóruns terríveis como parte de um concurso e no jogo indie, Slender: The Eight Pages, onde você deve coletar oito pedaços de papel espalhados por toda a floresta, enquanto Slender Man observa você e te mata se você olhar para ele por muito tempo ou se ele chegar muito perto.

Todas as histórias sobre o Slender Man são besteira. Slender Man é uma piada sobre o meu irmão mais novo, Samuel Mender. Sam nasceu três anos depois de mim, mas com um rosto deformado e metabolismo muito acelerado, mas ele não tinha doenças mentais. Minha mãe, meu pai e eu temíamos que todas as pessoas ridicularizassem, julgassem e implicassem com o pobre Sam, então sempre que saímos para qualquer lugar, sem qualquer brincadeira, escondíamos a cabeça do pobre Sam sob um saco de papel, um pano ou, eventualmente, uma máscara que era essencialmente o que a cabeça de Slender Man lembrava, mas que não durasse por muito poucos anos.

À medida que crescemos, quando Sam e eu fomos a reuniões de família, como aniversários, natal, ação de graças, etc, Sam sempre brincava com nossos primos mais jovens. Toda vez que eu ia para as suas casas, eles sempre perguntam: "Sam está aqui também?!" Eu nunca vi Sam não querer brincar com eles. Ele parecia apenas apreciar fazê-los felizes. Até esse ponto, ele tinha sua máscara branca que ele iria usar sempre que fossemos em algum lugar público. Ele nunca reclamou de ter que usá-lo, mesmo que eu perguntasse a ele como se sentia sobre ter que esconder seu rosto, mas eu ainda me sentia mal já que ele não podia mostrar a cara para ninguém, tirando nossa família. Nós dois éramos educados em casa, por isso tínhamos de interagir com outras crianças e fazer amigos de qualquer maneira. Foi-me dada a opção de ir para a escola, mas eu recusei porque eu não queria que Sam se sentisse sozinho. Quando estávamos entediados, gostávamos de ir lá fora e brincar no mato; subir em árvores, fazer fortes, e brincar de fingir.

Uma vez que Sam tinha 17 anos, ele começou a trabalhar em uma creche, porque ele nunca deixou de desfrutar de fazer as crianças felizes, enquanto eu estava trabalhando em empregos estranhos na hora de fazer algum dinheiro extra. Ele foi indicado ao trabalho por nossa avó, que trabalhou como professora e sabia que ele iria jogar e brincar com as crianças a cada segundo que ele fosse capaz. Os pais das crianças vieram a começar a chamá-lo "Slender Sam" (Sam Magro) por causa de como ele era magro e seu sobrenome rima com "slender", e mesmo que seus filhos adorassem brincar com Sam, alguns pais pararam de deixar os seus filhos irem para a creche, tudo porque Sam não poderia mostrar o seu rosto devido à sua deformidade. Isso me deixa doente só de pensar naqueles olhares temerosos que eles devem ter dado para o pobre Sam.

Depois de algumas semanas, Eu tinha ouvido que haviam começado rumores sobre um "homem de rosto pálido que sequestra crianças" das pessoas para quem eu trabalhava, e eu sabia que eles estavam se referindo a Sam. A única razão para eu não bater na cara de merda deles era porque eu precisava de dinheiro. Depois de alguns meses os rumores cessaram, e a creepypasta Slender Man nos fóruns Something Awful foi postada e todo mundo que leu e sabiam sobre ele oficialmente se referiam a Sam como "Slender Man". Ele era famoso e agora as pessoas zombavam dele ou falavam em voz baixa ao redor de nós e lançavam um olhar de medo em direção a ele. Depois de algumas semanas após isso, Sam fugiu no meio da noite e eu não o vi desde então.

Eu amo meu irmão e eu não o culpo por ter fugido. Eu só espero que ele esteja bem onde quer que esteja.






Fonte: Spinpasta

20 outubro 2014

O Caso Lillian Montegue


Segunda-feira, 16 de setembro de 1920

Testemunhas dizem que a senhorita Lillian Montegue estava agindo muito diferente durante várias semanas antes de seu desaparecimento na noite de quinta-feira ou sexta-feira passada.

Uma declaração de um membro da família (mãe) afirma que Lillain se encontrava “... parecendo estar bastante perturbada, e no começo eu pensava que se tratava de um pretendente de que ela não gostava vindo visitá-la, porque... Bem, na única vez que eu consegui obter uma resposta vindo dela, ela disse que "Ele estava parado lá... só olhando." Agora, eu não suspeito de qualquer um dos rapazes da cidade que viria até aqui e incomodaria minha pequena Lilly à noite, e, certamente, se alguém havia entrado no quintal o velho cão teria lhe expulsado antes que ele pudesse piscar.” Seus pais também disseram que sua motivação que a induziu ir em um passeio sozinha naquele dia foi a respeito de uma tosse peculiar que, “ela sentia que iria embora se ela pudesse tomar um ar fresco. Ela estava sempre reclamando de que cheiro úmido e mofado, mesmo nos dias mais quentes e mais brilhantes em que ela tinha tremores!” Disse-nos sua mãe.

A vítima está desaparecida desde quinta-feira, sendo que 12 de setembro foi o último avistamento dela passeando na estrada do Porto dos Cisnes em direção do lago. Equipes de mergulho até agora não têm obtido sucesso em encontrar qualquer evidência relacionada com este caso.

Neste momento, infelizmente, o atual processo é delicado. Qualquer pista pode ser telegrafada para o Sargento Oswald Fischer no Condado de Macon, Polícia Municipal 32675-14.

ATCC: A última fotografia conhecida de Lillian foi tirada numa quarta-feira, 11 de setembro em uma casa de amigos.


Fonte: Know Your Meme

25 agosto 2014

Henderson Horse Farm - Incidente de 1993


Henderson Horse Farm, localizada fora de Tryon em Polk County, Carolina do Norte, foi situada em terras de propriedade da família Henderson desde meados dos anos 1800. Em 1953, a fazenda foi adquirida e gerida por Ted Wilcox Henderson (41 anos), Judi Henderson (esposa, 36), e Tracy Henderson (filha, 6). Na manhã do dia 15 de junho, vizinhos chamaram a polícia local reclamando de gritos e sons de arma de fogo provenientes da propriedade.

O xerife Clint Denterman (54 anos) e dois delegados, Dan Parks (24 anos) e Chris Belas (33 anos), chegaram à fazenda 8h34 da manhã. Eles descobriram que os cavalos no estábulo tinham sido dilacerados, "quase como se fossem atacados por animais selvagens." Dentro da casa principal, relatórios declararam a presença de sangue fresco em toda a sala de estar, cozinha e corredor. 

Ted Wilcox Henderson foi encontrado no quarto, barricados atrás de móveis. Ao lado dele estava o corpo de sua esposa, morta por um tiro de espingarda no peito. Ted ainda tinha a arma em suas mãos. Dan Parks foi citado como tendo reportado:

“Ted estava apavorado, seu olhar era distante. Ele parecia não perceber que estávamos na sala. Perguntamos que aconteceu. Onde estava a sua filha. Mas ele não respondeu.”

Ted foi acusado pelo assassinato de sua esposa. No entanto, devido ao seu estado catatônico, ele foi internado no Hospital Mental Jenkins em Sandy Plains, Polk County. Ted ficou em um estado catatônico por mais de três anos. No terceiro aniversário do assassinato, Dr. Dauton em 15 junho de 1956 referiu-se a um "sujeito magro... terno... olhando para mim..." que tinha assassinado tanto Judi Henderson quanto sua filha Tracy. Ted disse que Judi pediu-lhe para matá-la, e sentiu que ele tinha "salvado-a" ao fazê-lo. No entanto, depois de lamentar por ter sido incapaz de impedir o "homem magro" de fugir com sua filha, Ted começou a "bater seu rosto várias vezes" na tabela de aço em que ele estava sentado, tendo que ser contido e sedado por enfermeiros do hospital. Menos de sete horas mais tarde, aproximadamente às 03h00 do dia 16 de julho, Ted foi encontrado morto em seu quarto depois de aparentemente escapar de suas restrições e mastigar seu próprio punho, cortando a artéria ulnar e sangrando até a morte. O corpo de Tracy Henderson nunca foi encontrado, no entanto, uma fotografia tirada cerca de uma semana antes do incidente Henderson Farm mostra o que parece ser um homem de terno em pé na frente dos estábulos, que alguns afirmam ser o "Slender Man".

Abaixo uma gravação feita pelo Dr. Dauton em 15 de de junho de 1956 às 20h30:




DAUTON: Ok, Ted... Vá em frente. 

TED: (quase sem fôlego) Sobre aquilo? Estou seguro? 

DAUTON: Sim, você está seguro. Agora me diga o que aconteceu naquela noite. 

TED: Os cavalos... cavalos agindo como se... os cavalos... 

DAUTON: Vá em frente.

TED: F... fui lá... mortos... todos mortos... os olhos... não.... sem olhos 

DAUTON: O que você viu? 

TED: Cor... corri para dentro... tinha uma arma... Tracy chorando... Judi gritando... r... correu para eles... Ele estava com eles... estava segurando-os... 

DAUTON: Quem estava as segurando? 

TED: Cara magro... terno... olhando para mim... Judi gritando... atire em mim... ATIRE EM MIM ATIRE EM MIM! 

(Ted começa a gritar por um período, em seguida, bate as mãos sobre a mesa) 

DAUTON: Você atirou na Judi? 

TED: a salvei... salvei... 

DAUTON: Você atirou na Tracy? 

TED: Não... Ele foi atrás de mim... Eles foram atrás de mim... atirou neles... atirou neles... continuar atirando... Tracy... deixe Tracy ir... DEIXE ELA IR! 

(Ted começa a gritar e tem um ataque, de repente começa a bater o rosto na mesa de aço. Dois serventes pegam Ted e Dr. Dauton injeta nele alguns calmantes.) 

FIM DA FITA

09 agosto 2014

Por Que o Slender Man Está Aqui?

Se você acha que sabe algo sobre o Slender Man, então você não tem ideia de quem ele era. Sim, todos nós sabemos sobre como ele não tem um rosto e todas as outras coisas assustadoras, mas sua origem é algo que você jamais imaginaria. 

A história começa com uma menina chamada Ginda. Neste momento, Ginda parecia ser uma menina normal, tanto quanto qualquer outra poderia dizer. Ela era apenas uma criança com uma mãe e seu pai. As pessoas pensavam que eles eram uma família normal, mas eles não sabem o que acontecia à portas fechadas.

O pai da menina era um bêbado, e, normalmente, abusava de sua esposa e filha. Com muito medo de fazer qualquer coisa, a mulher deixava acontecer. Existem crianças, que como qualquer criança abusada, crescem e ficam traumatizadas. Ela nunca realmente brincou com as outras crianças, nem conversava muito. Mas os desenhos dela foram o que chamou a atenção das pessoas. Ela fazia desenhos obscuros, assustadores e ilustrações desumanas. Eles falavam sobre alguém que representava eles. Todos eles estavam se referindo a seu pai. Ainda assim, nada foi feito.

Ninguém sabia sobre o seu amigo imaginário. Uma figura alta e escura que possuía um terno preto e gravata, mas o que o fez único era o que ele não tinha. Faltava-lhe um rosto, mas ele aparentemente podia falar com Ginda. Ela falava com ele o tempo todo. Ele a ouvia. Eles gostavam de brincar de esconde-esconde, pega-pega, e acima de tudo, adoravam desenhar e conversar.

Nos dias em que o pai chegava em casa bêbado, ela se escondia com seu amigo e esperava que ele não os encontrasse. Se ele a achasse, ela ficaria com raiva. Ela recuaria para trás, e chutaria e gritaria, qualquer coisa para fazê-lo parar.

Ginda usava isso para não ter medo de seu pai. Isso foi antes de ela ter seu amigo imaginário. Ele ensinou-lhe. Mostrou-lhe a lutar e fazer algo sobre isso. Ginda estava feliz por tê-lo. Ela estava feliz por ter Slenderman ao seu lado.

Slenderman nunca fez muito até uma certa noite. Ginda estava sonhando com ele. Ele estava fazendo as coisas por conta própria. Ele estava fazendo as outras pessoas fazerem as coisas para ele. Ginda tentou falar com ele, mas ele não quis ouvir. Era como se ele não pudesse ouvi-la. Logo ele falou e sua voz emitiu calafrios pela espinha de Ginda. Aquilo não era o seu Slenderman. Aquilo era outra coisa.

Ginda acordou com o suor escorrendo pelo seu corpo e as lágrimas manchando seu rosto. Ao seu lado estava Slenderman. Ele parecia preocupado. Ginda o abraçou e chorou, mas não lhe disse o que sonhou. Afinal de contas, foi apenas um sonho.

Mal sabia Ginda, mas o sonho era terrivelmente verdadeiro e alguns dias mais tarde, ela iria perceber isso.

Ela estava no parque e havia dois meninos que sempre gostaram de mexer com todas as outras crianças, mas não tanto quanto gostavam de incomodar Ginda. Neste dia foi diferente. Ela e Slenderman estavam sentados nos balanços falando quando os dois valentões empurraram a pobre Ginda para fora do balanço em direção a terra. A menina mau humorada ficou de pé para enfrentar os garotos. Slenderman estava atrás dela, perturbado pelas ações rudes dos meninos. Os meninos riram e lançaram pedras contra ela. Ginda podia sentir sua raiva se intensificando. Num acesso de raiva cega Ginda gritou para que Slenderman matasse-os. Como um bom amigo, Slenderman fez o que a garota desejava.

De repente Slenderman possuía tentáculos saindo de suas costas. Ginda não se lembrava disso. Logo os meninos viram a visão horrível e fugiu gritando. Ou pelo menos tentaram. Os tentáculos de Slenderman passaram por através dos garotos. Os meninos entraram em colapso, sangue jorrando através do buraco e de suas bocas. Perto uma menina viu o que tinha acontecido e começou a gritar por socorro.

Em um estado de pânico Ginda gritou para Slenderman matá-la também. E assim foi feito. O único som que se ouvia era o pequeno gargarejo da menina engasgando com o sangue dela seguido pelo baque de seu corpo sem vida ao bater no chão.

Ginda ficou chocada com o que seu amigo era capaz de fazer. Ela sabia que ela o tinha feito em sua mente, mas ela queria tanto que ele fosse verdadeiro. O que ela não sabia era que se você quiser algo com todo o seu coração e trabalhar duro, é possível que você obtenha o que você quer. Para esta garotinha, esta era uma realidade. Ela tinha desejado, construído, e trouxe para a vida um monstro.

Ela não queria estar por perto quando alguém a encontrasse junto dos corpos. Ela olhou para si mesma e viu o sangue das crianças que havia caído sobre ela. Ela pegou a mão de Slenderman e começou a caminhar para casa. No caminho até lá, ninguém parecia olhar para a criança e seu monstro. Ginda não sabia que Slenderman poderia tornar-se invisível. Ele só poderia ser visto por aqueles que ele queria.

Uma vez em casa Ginda mudou e eliminou as roupas que vestia, assim como Slenderman tinha dito a ela. Depois que eles se sentaram em silêncio, coloriram até que o pai voltasse do trabalho. Ao ver a filha o pai entrou em um estado de fúria cega. Ele começou a gritar e atirar coisas. Ginda estava com medo de novo. Ela nunca tinha visto o pai dela com esta raiva.

Slenderman apoderou-se de seu medo e agiu rapidamente tornando-se visível. O pai a filha com quando teve a visão de uma criatura tão demoníaca. Seus instintos paternais assumiram e ele queria proteger a filha, mas era muito tarde para isso. Slenderman estava atacando e nada poderia ser feito para impedi-lo.

O pai tentou fugir com a filha, mas foi impedido. No que diz respeito ao Slenderman, ele estava preocupado que este homem fosse o monstro. Ele tinha machucado a pessoa que ele amava; a única pessoa que iria amá-lo.

Agora, no topo da escada o homem tentou recuar e fugir, mas foi agarrado novamente. Desta vez, ele acabou empurrando Ginda enquanto tentava descer as escadas. Houve um grito de gelar o sangue quando ela caiu e foi abruptamente interrompida pelo estalo de seu pescoço.

Esquecendo o pai, Slenderman correu em direção a criança sem vida. Ele sentiu sua raiva crescer enquanto observava a pobre criança. Aquela não era sua hora, ela não merecia tal destino. Slenderman levantou-se e fez um o que achava que deveria ser feito com o pai, deixando seu abdômen cortado e aberto enquanto ele pendia de uma viga de seus intestinos. Eles estavam enrolados em volta do pescoço como um laço. Era quase artístico. E esta parte foi dedicada à Ginda. A criança que viveu por ali. 

Slenderman tomou o cadáver da criança e saiu.

Daquele dia em diante ele jurou proteger as crianças que assim como Ginda sentiam dor, medo, tristeza e solidão. Seu objetivo era levar as crianças com ele e fazer com que elas nunca mais sentissem a dor, assim
 levando-as para onde Ginda foi enterrada. Ele as enterrava e cuidava dos corpos. Se você se atrever a abusar de seus preciosos filhos você vai acabar como o pai de Ginda, mutilado e pendurado nas árvores por suas entranhas como um aviso para todos. Se você abusar de seus filhos, ele virá para você em seguida. Ele irá perseguir você até que você perca a cabeça, assim fazendo com que você suplique por morte, e assim ele retirará seu interior como um aviso...



04 agosto 2014

História de Criança

Pequena criança
Vou lhe contar uma história
Sobre um ser mágico que habita por entre as árvores
Um ser alto e bem vestido, com um terno preto como a noite
Seu rosto, pode-se dizer que não tem um
Mas não tema, ele não vai te machucar
Não por enquanto

Pequena criança
Ele se esconde na floresta
E se mistura com as árvores
Quando ele passa
Deixa um rastro de morte e insanidade
Mas não tema, ainda não chegou sua hora
Não por enquanto

Pequena criança
Olhos ele não tem
Boca também não
Nariz nem pensar
Apenas o branco sem vida
Mas não tema, você não irá vê-lo
Não por enquanto

Pequena criança
Agora que você sabe
Ele virá para você
Você não sabe como ele é
Mas ele sabe como é você
Sua vinda será em meio às sombras
Em meio ao desespero

Pequena criança
Os minutos podem ser contados
O tempo não vai te ouvir
Em breve ele estará aqui
Presenta bem na sua frente
O relógio não irá parar
Ele também não

Pequena criança
A hora está chegando
Logo ele virá
Não há de se ter esperança
Nada irá detê-lo
Fugir não é possível
Não mais

Pequena criança
Você se sente vigiada?
Consegue adivinhar quem é?
Isso mesmo, é ele!
Vindo para te buscar
Para te levar com ele
Te levar para todo o sempre

Minha doce criança
É hora de partir
Já não há mais tempo
Sua chegada é inevitável
Me perdoe por favor
Não há o que eu possa fazer
Não mais


28 julho 2014

Um Filme Pornô

Sejam bem-vindos proxies vagabundos... 

A introdução por si só já mostra que quem vos fala não é o Pedro. Aqui é o Leon, do Predomínio do Terror. Para quem não lembra, eu faço parte tanto desse blog quanto de sua page (facebook), eu tinha até uma série aqui, mas o projeto dela morreu, então de quando em vez eu irei quebrar um galho para o Pedro postando contos meus ou traduzindo material. A seguir você confere uma criação minha (que inclusive reforça uma "Slender Theory" abordada aqui no blog)... E antes:


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O período exaustivo de trabalho teve um desfecho peculiar naquele dia. Chegando na portaria, o porteiro informou-me de que tinham deixado uma entrega para mim. Um pacote muito amassado, meio rasgado e até mesmo mofado com um conteúdo dentro, que de cara supus ser uma fita. Ao entrar em meu apartamento o confirmei.

A fita tinha uma aparência bem antiga e um papel a acompanhava. Nele estava escrito "Pornô Lésbico. Que tal?". Cansado e sabendo que o tédio me aguardava, eu simplesmente caí na risada, larguei a fita e fui em busca do meu vídeo-cassete. Por sorte eu ainda não o tinha jogado fora. Conectei tudo corretamente e pus a fita.

Uma experiência que afirmo como desperdício de tempo, porque sinceramente foram 10 minutos de uma gravação fodida de uma miséria indescritível. Passados cinco minutos inúteis de um diálogo sem fundamento algum, onde três garotas falavam sobre o quão bom é fazer uma tatuagem perto do cú - "da um ardosinho bom", diziam - elas deitam-se na cama e apenas encaram a câmera. O mais excitante do vídeo é o foco nos seios da mais peituda, mas sexo em si, o vídeo é escasso. 

Decepcionado, eu desliguei a TV e deitei-me. E então, naquela noite, um sonho pôs-se em infortúnio no meu sono. Nada demais, posso dizer: o meu sonho era idêntico ao filme que antecedera - da maneira mais infeliz - o meu cair na cama. Todavia, tivemos um adicional de 2 minutos. A câmera tirava o foco das garotas e saía explorando o local onde elas estavam. A única coisa que podia ser ouvida era o áudio ambiente e uns leves sussurros do cameraman. Sobre o lugar? Não passa de um quarto em um mero - e gigantesco - corredor. 

O câmera passa a seguir o corredor, mas em certo ponto - diria na metade - ele para. Meu sonho, por sua vez, encerra. Acordei atordoado e tive a leve impressão de que aquele que gravava notara algo no fim do corredor. 

Na noite do dia seguinte, eu novamente sonhei. Era o sonho da noite anterior, só que mais uma vez um tempo determinado era adicionado à filmagem. Depois de três minutos do câmera perplexo (visto meu julgamento), ele retoma a câmera em mãos e segue até o término. Logo percebe-se que ele notou um homem, que se encontra em sua frente. Um barulho horrível toma a filmagem, parece um apito, junto de uma estática. O sonho acaba. 

Esses sonhos foram se sucedendo, sempre adicionando algo mais. Em um dia, pude ver os vestes do homem: era uma casaco preto, uma calça de moletom e os pés descalços; n'outra ocasião pude ver sua face, um envolto branco com meros glóbulos ocos e vastos de escuridão. Na terceira vez... Ele dizia seu nome ao câmera... Algo como Victor... Victor Surge. 

Foi quando eu tive a ideia de perguntar ao porteiro, quem teria deixado aquilo para mim. Ele me disse que fora um homem calado, portando terno, com a face pálida e um aspecto esguio. 

Os sonhos não pararam, mas desde que ele disse seu nome, venho tido experiências apenas com sua face. Agora seu rosto é vermelho e em cada órbita vazia de seu olho há um "X". Na última noite, entretanto, o pesadelo evoluiu. Alguém atrás de Victor... Alguém o controlava... Como uma marionete.

Victor aponta para o homem esguio atrás dele:

- Mestre - ele sussurra. E o sonho acaba.

SLENDER IS WATCHING YOU


Escrito por: Leon Leonidas

21 julho 2014

A Viagem de Acampamento

8 de Maio de 1993

Três campistas foram dados como desaparecidos hoje. 

Fazia uma semana que eles tinham ido em uma longa viagem para os bosques próximos. Seu acampamento foi rapidamente localizado, mas tudo o que restava era "sangue e pequenas tiras de carne [...] todo o terreno", de acordo com o líder da equipe de resgate, Chad Lewis. A especulação oficial é que os campistas foram atacados por um ou mais ursos pardos que, em seguida, arrastaram os corpos para algum outro lugar, embora a equipe alegue o seguinte: "não haviam pistas visíveis de ursos pardos... apenas pegadas, e também não identificamos quaisquer sinais de corpos arrastados. O estranho é que há quatro conjuntos de pegadas, mas [...] não encontramos botas extras no acampamento." Quando perguntado se isso poderia ser obra de um serial killer, o Sr. Lewis recusou-se a responder, dizendo "nós não queremos tirar conclusões precipitadas." Uma câmera foi encontrada na cena do crime, e a polícia está tentando desenvolver as imagens, apesar de danos no filme.


22 de Maio de 1993

A equipe de resgate liderada por Chad Lewis localizou os restos dos corpos dos três campistas desaparecidos há duas semanas. Eles tinham sido "empalados nos galhos mais altos de uma árvore, a mais de 200 metros acima do solo." Um urso pardo não poderia ter feito isso, e não há quaisquer ursos pardos por aqui.

"Isso definitivamente não era nenhum animal, os corpos foram [...] membros arrancados, e a maioria dos órgãos internos haviam sido removidos. Nós os encontramos [os órgãos] ao pé da árvore [...] a oito milhas de seu acampamento. Parece que este foi um assassinato intencional, com [...] circunstâncias extremamente estranhas." Quando questionado sobre detalhes, Lewis sacudiu a cabeça, dizendo: "Nós não podemos especificar nada ainda. A polícia está trabalhando nisso. Nesse meio tempo, estamos emitindo aos cidadãos um aviso pedindo que evitem atividades na floresta até segunda ordem."


28 de Maio de 1993

O chefe de polícia local divulgou detalhes intrigantes dos assassinatos dos três campistas em uma coletiva de imprensa hoje. "Nós determinamos que as mortes desses homens ocorreu depois de terem sido empalados sobre os galhos das árvores, nos levando a acreditar que havia vários assassinos, pois seria quase impossível para um homem ter levantado três homens adultos, todos com mais de 150 quilos, até os galhos mais altos das árvores.
No entanto, não haviam marcas de desgaste nos braços ou pernas, nos indicando que eles haviam sido impedidos de antemão.
Acreditamos que eles foram drogados, e depois transportados para a árvore." 

Quando questionado a respeito de como os assassinos tinham transportado as vítimas, e por que eles haviam escolhido aquele determinado local para matá-los, o chefe de polícia disse: "Existem múltiplas possibilidades, uma vez que há densas florestas e um rio entre o campo e a árvore. Esta árvore poderia ter algum tipo de significado religioso para os assassinos, já que haviam ranhuras profundas em todo o tronco [...] como marcas de garras, em certo ponto formando uma imagem de uma figura alongada de um homem."

O relatório da polícia afirma que as mortes foram, possivelmente trabalho de um culto. Eles conseguiram recuperar uma única fotografia da câmera resgatada na cena do crime. Qualquer um com informação deve ser incentivado a apresentá-las...


14 julho 2014

As 8 Páginas [Psychotic Mind]

Meu nome é Amanda Evanesciee, mais conhecida como "Mandy". Tenho quatorze anos completados há três meses, moro num bairro nobre com meus pais, tenho uma irmã mais velha, mas ela já está nos seus vinte e três anos e foi cursar biologia no Canadá. Aparência? Comum, muito comum; cabelos negros, lisos e longos. Olhos acinzentados. Pele pálida. Baixa e magrela.

Deve estar pensando que sou uma daquelas riquinhas metidas, superficiais, cretinas e etc, não é mesmo? Errado. Durante minha infância, nunca tive amigos. Minha mãe era uma artista, seguia livre e espontaneamente seus sonhos e meu pai era um escultor de argila, tinham dinheiro suficiente para sustentar a família de apenas três pessoas e mesmo meu pai tendo cursado marketing e sendo ótimo com negócios, preferia esculturas. Muito humildes. Porém, minha mãe ficou grávida de mim. Meu pai teve de arranjar um emprego de verdade e minha mãe desistiu de seus sonhos para cuidar da casa e da família, eles até pensaram em me abortar quando minha mãe entrou em depressão, mas desistiram. Sim, eles me contaram tudo. E então, nos mudamos de uma simples casa do campo para um bairro de classe média alta de Portland – Oregon –, pelo menos lá eu tinha uns três ou quatro amigos. Estava tudo normal, entediante, pacato e rotineiro, mas eu podia conviver com isso. Até que meu pai ganhou uma promoção no emprego e tivemos de nos mudar para um bairro nobre da cidade de Nova York. Nunca mais vi meus antigos amigos. Minha família estava feliz, porém, eu não. Era alvo de piadas maldosas no colégio por minha aparência considerada "anormal", não tinha amigos, constantemente humilhada e mandada para a detenção, acusada por coisas que não tinha feito. Até mesmo minhas notas foram afetadas, sempre fui muito inteligente, mas exigiam que eu tirasse notas baixas senão apanharia depois da aula. Aos dez anos, fiz meu primeiro amigo em Nova York, um garoto popular. Tínhamos virado amigos porque ambos gostávamos de jogos e de rock'n'roll, íamos sempre aos melhores fliperamas e visitávamos a casa um do outro para jogar. Sempre escondido, claro, se me vissem com ele acabariam com sua reputação e seriamos dois excluídos. Enfim, com essa amizade me aproximei de outros garotos, estava tudo bem, sempre me divertia... Até que uma menina que me odiava descobriu tudo. Ela nos ameaçou no colégio e acabou que quando o sinal tocou e eu fui para o refeitório, ela e as amigas dela me bateram e em seguida; todos os seus amigos – que eram muitos, afinal, ela era popular – jogaram comida em mim. Aqueles que antes eram meus amigos me imobilizaram e fui jogada na lixeira. “Você merece estar aí, lugar de lixo é no lixo” lembro-me muito bem daquelas palavras e do cuspe que foi direcionado a mim, realmente me senti um lixo, talvez até tivessem razão. Quando voltei pra casa, senti que meus pais se envergonhavam de me ter como filha – a desgraça da família. Continuei naquele colégio por mais três meses, por me recusar a ser capacho, voltava do colégio todos os dias com um arranhão ou um hematoma. Depois, nos mudamos para Salem, Oregon. Outra decepção para minha família. Estavam todos tão felizes... Minha irmã estava numa boa universidade dali e era considerada a estrela da turma, minha mãe adorava aquela vizinhança tranquila e meu pai adorava seu emprego. Outra mudança por minha casa. Continuei triste e infeliz, sendo alvo de piadas, porém, não tão maldosas. Eu era da classe “Excluídos”. Sim, isso mesmo, os próprios coordenadores do colégio faziam uma pesquisa de popularidade e dividiam os alunos em classe, eu era uma Excluída, assim como os góticos, emos e otakus – e esses eram meus amigos -, então, os outros alunos que estavam em classes superiores agiam como se nem existíssemos, literalmente. Acabou que com tudo isso passei um longo período me cortando, até que passei a pensar que isso era besteira e que não iria me levar a nada, porém, continuei usando drogas e bebendo. Sim, eu fazia isso e meus pais sabem muito bem, porque são eles que compram pra mim. Me sentia um pouco cretina por ser infeliz, afinal, tinha uma ótima família, nunca passei fome nem frio...

Enfim, meu pai – que era sempre muito ocupado com o trabalho – conseguiu uma folga de quinze dias, então, ele e minha mãe resolveram que iriam ao Canadá para visitar Marisa, minha irmã. Quase que essa viagem fora arruinada, novamente, por mim. Estava em semana de provas e tinha dois trabalhos escolares em grupo, não poderia faltar às aulas. E eles não queriam me deixar sozinha em casa, não por tanto tempo, apesar de tudo, eles ainda se preocupavam comigo. Não deixei de ser filha deles. Com muito esforço consegui convencê-los.

Era sexta-feira o dia em que eles viajaram, tive de apressá-los para não perderem o voo. Partiram para o aeroporto às 17h:00min e eu fiquei em casa, sozinha, teria o fim de semana todo apenas para mim. Infelizmente, tudo que fiz foi passear com meu cachorro – Pluto – e jogar online no computador do escritório do meu pai. Quando caiu a noite, desliguei o computador e fui direto para a cozinha, como sempre, peguei um pacote de salgadinho e uma lata de coca-cola, o whisky, a vodka e o ice haviam acabado. Depois, segui direto ao meu quarto e liguei a televisão que ficava sobre a escrivaninha, mudei os canais aleatoriamente, procurando algo de interessante para assistir, um filme de terror ou ação, de preferência. Nada. Então, simplesmente deixei a televisão num canal infanto-juvenil – Nickelodeon. Estava passando Bob Esponja – eu adorava Bob Esponja -. De vez em quando eu jogava um salgadinho para meu cachorro, que estava deitado no pé da cama. As horas se passaram e a programação foi mudando a cada meia hora. Desliguei a televisão e decidi ouvir música até cair no sono. E como sempre, não fazia a mínima ideia de onde estava o meu celular, saí procurando-o pela casa. Parei na sala de estar, inerte em pleno silêncio, raciocinei por um momento, tentando me lembrar de onde havia o deixando ou quando foi à última vez em que havia o pego. Escutei um som peculiar, parecia uma música e rapidamente o identifique; Miss Nothing da banda The Pretty Reckless. Esse era o toque de chamada do meu celular. Segui o som até o escritório do meu pai, encontrando-o debaixo da almofada da poltrona de leitura utilizada por Ronald. Era uma ligação de Matt.

- Alô? – atendi.

- Oi, princesa. – respondeu.

- Para de me chamar de princesa. – o repreendi, aquilo realmente me irritava.

- Me obrigue. – provocou – Então, fiquei sabendo que seus pais viajaram e irão ficar fora por quinze dias... Que interessante. Tudo bem ficar sozinha?

- Claro. – respondi – Estou ótima.

- Não está com medo? – perguntou um tanto sarcástico.

Revirei os olhos e ignorei a pergunta.

- Hei, Mandy, gosta de crianças? – perguntou.

- Não. – respondi.

- Ah, que pena, eu sei fazer. – debochou.

- Gosta de armas? – perguntei irônica.

- Claro! Adoro. – respondeu.

- Então, eu sei usar. – falei – E só lembrando que têm duas Smith 36 e uma Magnum 357 taurus aqui em casa e ambas estão carregadas, então, nem tente invadir minha casa e me estuprar enquanto durmo, seu pervertido.

- Você não terá tempo de pegá-las. – falou.

- Irei dormir com elas debaixo do travesseiro. – contra ataquei – E se você aparecer atiro no seu saco.

- Ai, pensei que quisesse ter filhos. – brincou.

- Vai se ferrar, Matthew. – disse.

- Calma princesa, sabe que eu te amo. – ele riu.

- Ainda não me esqueci de quando você tentou me estuprar naquela reunião no cemitério. – rosnei.

- Ah, foi há dois meses! – reclamou – Ainda tá com raiva? Nossa, você me espancou naquele dia, não está satisfeita?

- Não. – provoquei – Queria te bater mais, tarado.

- Tá, eu sou tarado, mas só por você e você sabe disso. – falou, era verdade, que maldição – E aí, viu o novo jogo que vai lançar?

- Vi. – respondi – E você disse que seria uma bosta.

- É mesmo. – concordou – Ah é, semana que vem tem reunião no cemitério de novo, você vai? Quer que eu te leve?

- Só se você dormir no mausoléu. – falei.

- Fechado. – concordou, muito suspeito.

- Tá, eu tenho que desligar, vou dormir. – disse.

- Ah, já vai dormir, neném? – debochou.

- Tsc. Espero que o capeta puxe o seu pé de noite! – praguejei e Matt riu.

Em seguida, desliguei o celular. Matthew foi o primeiro amigo que eu tive e essa amizade surgiu porque ele derrubou meus livros no meu primeiro dia de aula e, como eu estava estressada, bati nele e ainda joguei refrigerante no seu cabelo. Daí, fomos para detenção juntos e viramos amigos. Ele é um garoto gótico viciado em todos os gêneros de metal e screamo. Assim como eu, depressivo e dependente das drogas e do álcool e de uns anos pra cá tem apresentado uma “quedinha” por mim. Matt era inteligente, foi reprovado um ano porque se recusou a ir pro colégio durante alguns meses, e também era bonito: alto, pele clara, cabelos lisos e negros – com uma franja que cobria metade dos olhos – e olhos azuis. Sim, também tinha uma “quedinha” por ele, mas sempre fui muito orgulhosa para admitir. Essa era a minha característica mais marcante: O orgulho.

Peguei os fones de ouvido que havia guardado de manhã na gaveta de meias e me joguei na cama, conectando os fones ao celular. Fiquei um tempo acordada ouvindo música, até que comecei a ficar sonolenta, então, coloquei o celular para despertar às oito e meia da manhã, escovei os dentes, apaguei as luzes e fui dormir. Pluto, como sempre, deitou-se debaixo da minha cama para dormir.

Perdi a noção do tempo, mas, de qualquer forma, os minutos se passaram e eu adormeci. Um tempo depois – não sei exatamente quanto, afinal, como mencionado anteriormente, perdi a noção do tempo -, eu acordei, com um som de goteira. Provavelmente vinha do banheiro. E de uma maneira estranha e perturbadora, aquilo estava me intimidando, sentia uma estranha sensação de que havia algo de errado. Tentei ignorar aquilo, porém, foi em vão. Abaixei minha mão até que pudesse sentir o frio do chão e Pluto a lambeu, tranquilizando-me. Voltei com o braço para debaixo do cobertor e voltei a dormir. Acabei sonhando com a maldita goteira, em meu sonho, eu me levantava para verificar se havia deixado a pia aberta ou algo do tipo e ao chegar ao banheiro e acender a luz me deparo com uma cena horrível e assustadora: meu cachorro todo mutilado e seu sangue espalhado por aí, o que havia causado a goteira. Acordei assustada, novamente. O som da goteira havia parado, na verdade, não ouvia nada. Minha cabeça latejava e os sons estavam distantes. Sentei-me na beirada da cama e com o passar dos segundos, tudo foi ficando mais nítido, podia ouvir os latinos de Pluto, o que era estranho, ele sempre fora um cão muito calmo e quieto, não costumava latir. Levantei-me. Um pouco tonta e tropeçando em meus próprios pés e segui até a sala, no primeiro andar. E lá estava Pluto, latindo para a escuridão, não conseguia ver o que era, apenas fiquei mais tonta. Tentei acender a luz, porém, parecia que estava faltando energia. Subi as escadas, indo direto ao quarto dos meus pais. Por sorte, encontrei uma lanterna da gaveta de meias do meu pai. Corri escada a baixo, voltando à sala. Acendi a lanterna e iluminei a direção em que Pluto estava latindo: nada, apenas uma cadeira. Revirei os olhos e caminhei até a cozinha, já que estava lá, poderia comer alguma coisa. Senti novamente uma estranha sensação, porém, mais forte. Parecia uma presença sombria. Virei-me para a porta, observando vultos passarem correndo por ela. Sacudi a cabeça e pisquei várias vezes, talvez fosse apenas algo de minha cabeça, podia ser – também – que estivesse com sono. Caminhei até a porta quando ouvi um ranger vindo da pia, por reflexo, virei-me imediatamente, encarando-a. Continuei andando, mas desta vez, lentamente e ainda de costas. Bati minhas costas em algo, claro que não era uma parede ou um objeto, senão, teríamos nos chocado antes. Virei-me novamente e não havia nada. Sacudi a cabeça, decidindo voltar logo ao quarto e dormir. Andei de volta a escada quando percebi uma figura em frente a ela, parecia uma silhueta, mas uma silhueta nada normal: era mais alta e magra. Esfreguei os olhos e pisquei repetidas vezes para ter certeza de que era real e, infelizmente, não era apenas uma ilusão. Senti-me intimidada pela estranha criatura, ficando cada vez mais tonta e parecia que estava sendo seduzida, hipnotizada. Minhas pernas tremiam, não conseguia me mover, nem ao menos desviar meu olhar, ouvia uma estranha voz – porém, não entendia o que ela estava me dizendo. Pluto voltou a latir. A criatura continuou inerte, até que algo como tentáculos saíram de suas costas, ela iria me pegar? Pluto mordeu meu tornozelo, as luzes piscaram e eu pude ver o rosto da criatura, ou melhor, ela não tinha rosto e usava um terno. Parecia muito com um manequim. Graças a Pluto, saí daquele transe hipnótico e corri até a porta da frente, destrancando-a e saindo de casa. Atravessei o gramado, indo parar no meio da rua, olhei para trás e a criatura estava saindo de minha casa. Fiquei horrorizada, espantada, amedrontada. Ela era enorme, ou melhor, ele, porque parecia um homem. Tinha – aproximadamente – uns seis metros. As luzes dos postes que iluminavam a rua começaram a piscar, peguei Pluto em meus braços e corri o máximo que podia, sem rumo, nem destino, apenas fugindo daquele ser horrendo. Virei uma esquina, indo parar numa outra rua e vejo a criatura a alguns metros à frente. Fiquei paralisada por um momento, como ele chegou ali tão rápido?! Virei-me novamente, indo para outra rua e lá estava novamente a criatura. Olhei para trás, pronta para correr em outra direção, mas ele já estava lá também. Girei novamente, olhando para uma reserva floresta que estava logo a minha frente, olhei para trás por um breve momento e a criatura continuava lá. Então, corri em direção à mata, invadindo a reserva. Pluto estava inquieto em meus braços, então o coloquei no chão e ele me acompanhou em minha corrida. Ao adentrar mais fundo a mata, já estava perdida em meio a tantas árvores altas. Fiquei girando, tentando me decidir em que direção seguir até encontrar um papel colado numa árvore. Não hesitei nem um pouco, corri até a árvore, recolhendo o papel. Era um manuscrito, havia uma mensagem escrita com terra e dizia “Always watches no eyes” e também percebi algumas manchas de sangue. Segui em frente, com o manuscrito em mãos. Depois de andar um pouco, encontrei uma trilha e resolvi segui-la. A trilha me levou até uma construção que parecia um banheiro, um tanto hesitante, entrei na construção, apenas por curiosidade. Era forrada apenas por azulejos, tanto no piso quando nas paredes e parecia um enorme labirinto. Acabei encontrando outro manuscrito que tinha a mesma aparência que o anterior: escrito com terra e manchado com sangue. A mensagem escrita era um simples “Help Me”, ou seja, 'ajude-me' ou 'socorro'. Com isso, a conclusão mais óbvia que pude chegar foi de que havia alguém naquela reserva, também fugindo da besta, que havia espalhado isso, pedindo ajuda. Saí correndo do local, avistando novamente a criatura, porém, distante e imóvel. Pluto voltou a latir, então, o peguei em meus braços e corri de volta para a trilha. Desta vez, a trilha havia me levado para – o que parecia – uma pequena construção e uma caminhonete abandonada. Aproximei-me da construção, batendo levemente na porta, na esperança de encontrar alguém. Nada, sem resposta. Segui até a caminhonete, olhando seu interior através das janelas cobertas por poeira, tentei abri-la, mas estava trancada e a chave estava do lado de dentro. Olhei ao redor, encontrando uma pedra. Peguei a tal pedra e a joguei contra o vidro da janela da caminhonete, quebrando-a, por sorte, não havia alarme. Tentei liga-la, porém, parecia que já estava quebrada. Andei ao redor da caminhonete por um momento, pensando no que fazer a seguir, até que encontrei outra página. Nesta página havia sido desenhada a tal criatura e do lado dela – tanto esquerdo quanto direito – estava escrito “No no no no no no” na vertical. Segurei aquela folha com a mão direita, juntando-a com as outras duas e voltei a trilha. Continuei andando, minha respiração já estava ofegante e minhas pernas doíam um pouco, não poderia andar mais rápido que aquilo. Fui levada novamente aquela mesma grande árvore, andei ao redor dela, formando um círculo e em seguida, a ignorei, seguindo em frente. Acabei sendo levada a uma divisão na trilha, havia dois caminhos: esquerda e outro em que continuava seguindo em frente. Observei por um momento o caminho da esquerda, pude avistar aquela mesma construção que parecia um banheiro, então, resolvi continuar seguindo em frente. Deparei-me com um cilindro, tipo aqueles que são usados para armazenar grãos nas fazendas. O ignorei e continuei seguindo em frente, tinha um ar sombrio e assustar, temia que se fosse olhar ao redor dele me encontrasse novamente com a criatura. Um pouco mais a frente me deparei com uma gigantesca rocha, decidi encostar-me nela e descansar por um momento. Olhei o céu, apesar de todo o medo e escuridão, era uma bela noite. O céu estava limpo, sem nenhuma nuvem e as estrelas brilhavam, vendo aquela imagem senti que fosse mais um momento nostálgico dos tempos em que eu era feliz e não sabia, em meio aquele perigo, pude ter um momento de paz. Sorri para o luar. Suspirei, desanimada e voltei a caminhar, olhei ao redor por um momento, apenas para me certificar de que Pluto ainda estava ali. E lá estava ele, acompanhando meus passos, como sempre. Ao andar mais um pouco, encontrei outra trilha que levava a um campo aberto. Decidi segui-la para ver o que havia naquele campo. Acabei encontrando um campo repleto por cilindros iguais a aqueles cilindros de gasolina carregados por caminhões que vemos nas grandes estradas. Caminhei ao redor de cada um deles, até que encontrasse outra página. Nela estava escrito “Leave me alone” ao lado de um desenho de uma árvore e a palavra “alone” estava sublinhada. Coloquei-a junto das outras páginas que havia coletado. Ouvi os latidos de Pluto, olhei ao redor, procurando por ele e ele não estava mais ao meu lado. Corri, seguindo o som de seus latidos e avistei novamente aquela mesma construção azulejada, e em frente a ela, estava a monstruosa criatura. Arregalei os olhos. Não pude esperar mais nem um segundo, agarrei Pluto e voltei a trilha que seguia anteriormente, encontrando novamente aquelas mesmas rochas. Segui em frente, correndo o mais rápido que podia, na esperança de despistar a criatura. Encontrei uma construção que pareciam dois muros cruzados, não hesitei nem um pouco, corri em direção a ela, escondendo-me logo atrás de um dos muros, o que estava na horizontal. Respirei fundo por um momento, deixando com que meus joelhos cedessem e meu corpo caísse ao chão. Por quanto tempo mais eu aguentaria? Afinal, era questão de tempo até que aquela criatura me capturasse. Será que a pessoa da qual escreveu aqueles manuscritos ainda estava viva? Ou ela já havia sido morta? Quantas pessoas já se tornaram presas nesse jogo de gato-e-rato? Tantas perguntas que vinham à minha mente, deixando-me apenas mais confusa e cansada. Talvez a pessoa que espalhou essas páginas estivesse tentando alertar às outras e fazê-las se afastarem invés de pedir ajuda. Levantei-me e me deparei com outra página. Nessa não havia nada escrito, nenhuma mensagem verbal, apenas um desenho da criatura e algumas árvores em volta. Recolhi aquela página também e saí de meu esconderijo, voltando a seguir pela trilha. Passei a andar mais rápido, já estava de saco cheio de me encontrar e reencontrar com aquela “coisa”, encontrei outro “ponto” num campo aberto, onde provavelmente teria outra página. Era duas fileiras de rochas retangulares, apenas isso. Aproximei-me delas e rapidamente avistei uma página na segunda rocha da fileira da esquerda, corri em sua direção e a recolhi. Nela estava escrita a seguinte mensagem: “Don’t look... Or it takes you”. Suspirei novamente, já desanimada daquela caçada. Porém, não poderia desistir... Espere, não poderia desistir? Do que diabos eu estava falando?! Era uma pessoa infeliz, desgraçada, por que não queria desistir da vida?! Era para eu estar querendo desistir, querendo morrer, mas invés disso... Talvez fosse porque esse tempo todo... Eu fui feliz e apenas não sabia disso. Eu adorava minha vida, minha vida era ótima e nunca pude perceber porque sempre fui uma idiota. Por isso... Eu irei sobreviver! Irei voltar para casa, rever minha família, meus amigos e o Matt... Ah, sim, o Matt. Estufei meu peito com um pouco de orgulho e continuei seguindo pela trilha, desta vez, com mais força, garra e determinação. Acabei me deparando um túnel, escuro, sombrio e assustador, mas, mesmo estando um pouco hesitante, criei coragem e entrei, havia chegado até aqui ignorando todos os meus medos, não seria agora que iria desistir por causa de um simples túnel. E logo no inicio, encontrei outra página; um desenho da criatura ao lado de uma árvore e a palavras “follows” escrita na vertical. A amassei em minhas mãos e a joguei no chão, após isso, fiz o mesmo com todas as outras e as chutei, arrancando um pouco de terra do chão. Segui em frente de cabeça erguida, atravessando aquele maldito túnel. Imaginei por um momento se fossem outras pessoas em meu lugar, provavelmente estariam encolhidas e pedindo a Deus que a salvassem. Sinceramente, nunca tive muita fé em Deus, eu acreditava nele, claro, mas sempre pensei que nosso destino, as coisas boas que acontecem na nossa vida éramos nós quem fazíamos e não Deus. Enfim, rezas não iriam me ajudar naquele momento, apenas minha vontade de sobreviver e a minha força para lutar.

Parei por um momento, fitando o chão, meus pés descalços já estavam completamente feridos, por isso doíam tanto. Nem havia percebido que esqueci de me calçar. Sacudi a cabeça para distanciar todos esses meus pensamentos de reflexão, não era hora para refletir. Ouvi novamente aquela estranha voz dizendo algo da qual eu não conseguia entender, aquelas mesma voz que falara na minha cabeça quando estava em casa. A criatura. Por reflexo, virei para trás num movimento rápido, a avistando no fim do túnel. Arregalei os olhos, assustando-me por um momento, mas, depois, serrei minhas mãos em punhos, afastando todos os meus medos e inseguranças. Não seria intimidada por ela novamente! Chamei por Pluto e corri na direção oposta a criatura, saindo do túnel. Corri pela trilha, se não fosse pela forte ardência que sentia em meus pés, eu nem os sentiria. Encontrei outra caminhonete, nem me dei ao trabalho de tentar abri-la, deveria estar quebrada assim como a outra. Na traseira de sua carreta estava outra página, não parei para pegá-la, apenas a li. “Can’t run”. Parei por um momento, olhando ao redor, não havia mais para onde correr, a trilha me levaria para os mesmos lugares. Decidi mudar meu caminho, correndo em direção a mata fechada. Com passos apressados, fui me distanciando cada vez mais da trilha, até não conseguir mais vê-la. E agora? Estava completamente perdida. Perguntava-me como iria encontrar o caminho de volta para casa. Acabei tropeçando numa pedra que havia no caminho e rolei por uma ladeira, ouvi novamente os latidos de Pluto. Drogas... Como aquela besta conseguia ser tão rápida? Levantei minha cabeça, deparando-me novamente com a criatura, porém, estava bem diante de mim. Seus tentáculos surgiram novamente por suas costas, um deles agarrando minha cintura e me erguendo. Ficamos inertes por um momento, eu a encarava e então, o tentáculo foi apertando minha cintura, esmagando-a. Eu gemia de dor e tentava me soltar, todo meu esforço havia sido em vão. Pluto não parava de latir. Olhei para ele e ele correu para longe, desaparecendo na mata. Pluto... A princípio, fiquei um pouco decepcionada, mas era melhor assim, não queria que meu melhor amigo morresse, seria melhor se ele me abandonasse e fugisse. Me esforcei para formar um frágil sorriso em meus lábios, dando adeus a toda aquela vida que ainda nem havia começado a viver e que havia acabado de descobrir que era maravilhosa.

Uma movimentação retomou a minha atenção e lá estava Pluto, havia reaparecido e agora mordia a calça preta da criatura, tentando me defender. Que fofo. Meus olhos se encheram de lágrimas, afinal, ele não havia me abandonado, seria fiel a mim até o último segundo.

- Pluto... – choraminguei – Não faça isso garoto, vá embora! Fuja!

E então, o que eu mais temia aconteceu, um tentáculo agarrou Pluto e o esmagou, matando-o. Arregalei os olhos, horrorizada. E num ato nem um pouco piedoso, o cadáver do meu cachorro fora lançado para longe. Fui sendo consumida pela raiva, meus olhos ardiam em fúria. Estava cega pelo ódio, tinha que me vingar. Não era apenas um cachorro, era o meu cachorro, que se sacrificou tentando me ajudar. Serrei minhas mãos em punhos e soquei o local onde deveria estar o rosto daquele monstro, ele se desequilibrou por um breve momento, recuando alguns passos para trás e deixando com que eu caísse. Olhei ao redor, pegando um grosso e forte galho de árvore que havia por ali.

- Seu monstro! Por que o matou?! Era apenas uma criatura inocente, não podia matar apenas a mim?! – gritei – Que o deixasse vivo, seu demônio! Volte para o inferno!

E com toda a minha força, eu o ataquei, atravessando aquele galho em seu corpo magro e esguio, na região do abdômen. Observei seu sangue escorrendo, não era como o sangue normal, era escuro, enegrecido e tinha cheiro de podridão. Antes que eu pudesse ataca-lo novamente, um de seus tentáculos agarrou minha cintura e me ergueu novamente. Mais dois tentáculos surgiram, agarrando e arrancando meus braços. Gritei de dor e assisti meus braços sendo descartados da mesma forma que havia sido com o cadáver de Pluto. Em seguida, foram minhas pernas. Arrancadas sem nem uma piedade e com uma brutalidade desnecessária, lançadas para longe também. Outro tentáculo surgiu, perfurando e atravessando meu estômago. Comecei a ficar tonta, já não sentia nada e minha cabeça latejava, a quantidade de sangue que havia perdido fora significativamente alta. Senti um embrulho subindo por minha garganta e antes que pudesse perceber, já estava tossindo sangue. Prestes a morrer, já perdendo meus sentidos, o mesmo tentáculo agarra minha cabeça e lentamente a puxa, sinto meus ligamentos do pescoço sendo rompidos e então, tudo escureceu, num cheiro doce e enjoativo de sangue.


Slender Man... Mais do que uma lenda

As oito páginas tem de ser capturadas...

É tudo uma armadilha...

Ele te levará até o local onde pretende de matar, te encurralando...

E espalhando as oito páginas...

Tem coragem... Humano?




Fonte: Fanfiction